Qual workshop você gostaria de fazer?

Olá, pessoal!

Estamos preparando alguns workshops! Eles terão duração de três horas, onde iremos trabalhar danças e aspectos da cultura cigana. O valor será R$100,00.

Qual desses vocês gostariam de fazer?

O workshop sobre o Elemento Água trabalha as danças ciganas orientais, o simbolismo do diklô (véu) na cultura cigana, o despertar da kundalini. É uma dança que trabalha o feminino e a sensualidade.

Já realizamos um workshop sobre o Baralho Cigano e foi muito bom. Trabalhamos a ideia de troca entre os ciganos (dar e receber), além de iniciar o estudo sobre as cartas ciganas. As danças e exercícios serão feitos de acordo com as cartas tiradas pelas alunas para fortalecer o entendimento da leitura.

A segunda parte da enquete é: quando é melhor para você? Será no dia 26/08 (sábado) ou 27/08 (domingo).

Aguardamos as respostas e em breve divulgaremos os resultados!

Brigitte Angel

Ciganos e punhais – mitos e histórias

Ficha criminal de Fray Pablo de San Benito (1774). O escrivão desenhou a arma com a qual foi cometida o homicídio, um “cuchillo flamenco”.

Sempre existiram mitos e estereótipos sobre os ciganos. A figura romântica do cigano é de que, apesar de ser de um povo festeiro, é um sujeito armado com uma faca presa em uma faixa na cintura. Exaltado, se um cigano for afrontado, não pensa duas vezes e saca seu punhal ou navalha para resolver a questão. Provavelmente essa imagem deve-se aos toureiros ou porque muitos ciganos de Triana eram açougueiros. Mas também é possível que essa fama tenha se dado porque eles realmente carregavam armas consigo.

Uma pesquisa realizada pelo historiador espanhol Juan José Iglesias Rodriguez no Arquivo Histórico Municipal de El Puerto de Santa María, em Cádiz, aponta que entre os anos de 1766 a 1801, a maioria das mortes executadas por ciganos na cidade foram cometidas com uma faca, então conhecida como “cuchillo flamenco”. E essas armas eram tão temidas, que chegaram a ser proibidas no país.

Manual del baratero, 1849

No entanto, a proibição não deve ter durado ou não funcionou por muito tempo. É possível encontrar manuais sobre como manejar uma faca cigana, com dicas de golpes e recursos em ataques ou defesas. Um desses livros é o Manual del baratero – o arte de manejar la navaja, el cuchillo y la tijera de los jitanos (Manual do enganador – ou arte de manejar a navalha, a faca e a tesoura dos ciganos), publicado em 1849 de forma anônima por M. de R.

A imagem do cigano bravio, que briga por qualquer coisa, foi divulgada por diversos pintores, gravuristas e escritores do século XVIII e do XIX. E não são apenas os homens que brigavam com essas armas. As ciganas também foram retratadas com punhais para se defender. Em 1845, o francês Mérimée escreveu a novela Carmen, famosa com a ópera de Bizet, de 1875, que fala sobre a cigana que leva uma navalha presa em uma liga em sua perna e fere uma colega da fábrica de tabaco, onde trabalham.

Já Demófilo, escritor, antropólogo e folclorista espanhol, em sua “Colección de cantes flamencos recogidos y anotados” de 1881, apresenta os versos flamencos:

Gravura de Paul Gustave Doré (1832-1883)

No te metas con la Lola;
La Lola tiene un cuchiyo
Pa defendé su persona.

No te metas con la Nena;
La Nena tiene un cuchiyo
Pa er que se meta con eya.

No entanto, sabe-se também que os ciganos foram condenados injustamente por diversos crimes que não cometeram. Perseguidos, eram bodes expiatórios de diversas culturas, e assim também foi na Espanha.

Tratar dos ciganos como um povo extremamente agressivo, seria cair nesse tipo de estereótipo, que só aumenta o preconceito contra eles. Mas ignorar por completo que o punhal era um elemento importante em sua cultura seria leviano. Podemos construir bailados artísticos para representar esse tema. E estamos cheios de exemplos interessantes para nos inspirar 😉 .

Brigitte Angel

Cena do filme Carmen, de Carlos Saura (1983), baseado nas obras de Mérimée (1845) e Bizet (1875).

 

Filme Bodas de sangre, de Carlos Saura (1981), baseado no texto de Frederico Garcia Lorca (1933).

 

Dica de música – La Romniasa me te lav

O cigano húngaro Gusztáv Varga carregou um sonho por mais de três décadas: escrever e cantar músicas em sua língua-materna, o romani, idioma falando pela maioria dos ciganos do Leste Europeu. Isso foi possível em 1978 com a criação de sua banda Kalyi Jag (que significa “Fogo Negro” em romani). O primeiro disco foi lançado em 1987 e logo a banda se tornou um sucesso e referência sobre a cultura cigana húngara. [Para saber mais sobre os ciganos da Hungria, veja nosso texto antigo: E nem tudo é festa – os ciganos da Hungria 😉 ]

A música La Romniasa me te lav fala de algo que é extremamente importante para os ciganos: casar e ter um companheiro para a vida. Acho essa música muito interessante porque, em nosso imaginário, construído por filmes e novelas, pensamos mais em ciganas que sonham em se casar. Nesse caso, é o rapaz que pede a deus para encontrar a mulher de seus sonhos, para que não se torne um homem amargo.

Embaixo, trago também uma versão muito bonita executada pela Barcelona Gipsy Balkan Orchestra.

Brigitte Angel

ciganaLa Romniasa me te lav

Refrano:
Ay Romale, Shavale!

La Romyasa me te lav
Ando suno la dikhav
Le rakhensa na sovav
Phen tu, Dévla!
So te kerav!

Refrano

Me sim shavo, terno shavo
Me sim, Dévla, kolkorro
Nai man, Devla, Romnyorri
Kerko yaba murro gi.

Refrano

Tradução

A esposa com que eu vou me casar

Refrão
Oh, cigano, jovem cigano solteiro!
(Repete três vezes)

A esposa com que eu vou me casar
Eu a vejo em meus sonhos
Eu não consigo dormir à noite
Diga-me, Deus!
O que fazer!
(Repete o verso)

Refrão

Eu sou um jovem, um jovem companheiro
Eu estou, Deus, sozinho
Eu não tenho, Deus, uma jovem esposa
Minha alma está ficando amarga
(Repete o verso)

Os 4 elementos e promoção em julho!

Olá, pessoal!

Em julho nós teremos novidades!

Com a promoção do mês, não há matrícula. Novas alunas ou que estejam afastadas pagam apenas a mensalidade de R$130,00. O pagamento é em dinheiro ou cheque e deve ser feito na primeira aula que fizer.

E para acompanhar, teremos uma programação especial. Vamos trabalhar os quatro elementos na Dança Cigana:

04/07: Elemento ar, as danças alegres, delicadas, dança com lenço (traga o seu)
11/07: Elemento água e as danças orientais
18/07: Elemento fogo, as danças espanholas, duelos e punhal (traga o seu)
25/07: Elemento terra, as danças do Leste Europeu, os grupos, parcerias

As aulas são às terças-feiras, das 18h50 às 19h50 e acontecem no mesmo endereço:
Rua Dr. Cesário Mota Júnior, 441 – 1º andar.
Próximo à Rua da Consolação e ao Mackenzie.

Caso tenha interesse, envie um e-mail para brigitte_san@yahoo.com.br e reserve sua vaga. Se não tiver uma saia cigana, vá com uma saia longa.

Espero vocês!

Brigitte Angel

Dançando Luar na Lubre

Olá, pessoal!

O post de hoje na verdade era apenas para mostrar um dos meus vídeos de dança rs. Fiz essa apresentação no ano passado, em uma festa na escola onde dou aulas às terças-feiras. Ficam ai as imagens pra quem quer saber como é o espaço 😉

cigana (54)A música é de uma banda que adoro, Luar na Lubre. O grupo é da Galícia, na Espanha, e eles tocam um “galego folk contemporâneo”. Não é cigano, mas é um ritmo delicioso para quem quer desenvolver as danças mais calmas, suaves e delicadas. Continuar lendo

Movimentos de saia para Dança Cigana Artística

Olá, pessoal!

Já faz bastante tempo que estou devendo esse vídeo 🙂

Ele traz dicas de movimentos de saia para Dança Cigana Artística. São movimentos bem simples para quem quer começar a fazer dança cigana ou pra quem está no comecinho do aprendizado.

Apesar de parecerem bem simples, realizar os movimentos bem arredondados e bem amplos faz muita diferença no bailado. Por isso, treine bastante. Continuar lendo

Vício em oráculos

Um dos conteúdos mais acessados do blog é sobre as cartas ciganas, embora esse não seja o meu foco principal. Comecei a postar as cartas para auxiliar o estudo das alunas de dança, quando fazíamos exercícios com o baralho. Com o tempo, esse conteúdo passou a ser admirado por diversas pessoas que têm curiosidade ou que querem se aprofundar no conhecimento das cartas. Continuar lendo

Dica de música: Rumba Portuguesa

Não há registros precisos de quando os ciganos chegaram em Portugal. Embora documentos falem sobre a presença do povo nômade em 1510, é provável que estivessem ali há mais tempo, pois em 1493 os ciganos já habitavam Madri, na Espanha. 

Geralmente andavam em grandes grupos, de 80 a 150 pessoas, lideradas por um homem. Para garantir a autorização de sua entrada em um vilarejo, diziam que eram cristãos peregrinos à procura da proteção de um nobre. Aceitos, logo causavam grande fascinação e medo na população devido às suas roupas e costumes diferentes, cores e perfumes. Viviam de apresentações de espetáculos circenses, de dança e de adivinhações do futuro. Com isso, passavam a ser associados às práticas pagãs que ainda eram proibidas especialmente na Península Ibérica católica, fortemente marcada pela Inquisição. Continuar lendo

Dica de música: Torito

Olá, pessoal!

Gostaria muitíssimo de fazer um texto mais completo a respeito dessa música, mas ela continua um mistério para mim… Então por enquanto ela vai ser apenas um vídeo onde eu danço com algumas dicas para que tudo seja desvendado rs.

to

Touros são amigos rs

Das poucas coisas que descobri a respeito, sei que ela tem influência espanhola, colombiana e cubana. Continuar lendo

Dicas de música: Bamboleo – Gipsy Kings

cigana-1-1Gipsy Kings é uma banda francesa criada na década de 1970, que se tornou famosa pelas gravações de músicas com influências do flamenco, da salsa, do pop, e principalmente da cultura cigana, como a rumba catalana. Apesar de os músicos serem franceses, a maioria dos pais dos componentes da banda era de origem cigana da Espanha, fugidos da guerra civil espanhola de 1930, o que explica a forte ligação da banda com a cultura dos ciganos Calons. Continuar lendo