10 Anos de Dança Cigana, 20 admirando a cultura

Em maio de 1996 terminava minha novela preferida, Explode Coração. A história dos ciganos encantou a adolescente de 13 anos que eu era. Lembro que naquele outono ganhei de minha mãe uma saia longa bordô. Como amei aquela saia! Queria ser como a Dara, a Ianka, aquele povo lindo que dançava em volta da fogueira.

Passados dez anos e já aos 23, em maio de 2006 eu procurava alguma atividade que me trouxesse alegria. Queria também fazer uma atividade física e dançar seria perfeito. Procurei por flamenco e dança do ventre, ai descobri um lugar que oferecia aulas de Dança Cigana. Que bela surpresa! Assim comecei a bailar na então Casa Estrellas Gitanas.

Por Rafa Oliveira

Por Rafa Oliveira

A primeira professora foi Vida Santini. Vida era uma mulher linda, encantadora, com um lenço nos cabelos longos. Sempre a imaginava uns séculos atrás bailando no meio de uma praça, puxando o olhar de todo mundo. Dançava lindamente e eu desejava dançar como ela. Mas o bailado da Vida ninguém imita.

Ai tive aula com Rubia Zaia. Esguia, às vezes durona, e então ria. Era o tipo de cigana-maga, parecia que tinha vindo de um acampamento distante, de mulheres fortes, e que um dia seguiria pra cuidar de suas valkirias.

Depois veio a Mercedes de Los Placeres. A Mê era como uma criança feliz que acabou de ganhar uma saia rodada nova. Mesmo que ela fosse bem mais velha que todas nós. Era a dança que chega e traz brilho, da rumba feliz e chamativa que dá a fama dos ciganos como um povo alegre.

E, enfim, tive aula com a dona da Casa. Ter aula com Dalillá Ferrari era sonho de consumo de todo mundo rs. E com ela aprendi a trazer cada vez mais uma dança íntima e profunda.

Também tive aula com a Hazanny, que era como uma amiga que puxa a gente pra dançar, pra dar risada, pra sair pra paquerar rs.

Já a Rowenna Raizer era a moça séria da dança con fuerza. E ela sabia que eu adorava aquele bailado!

Depois de seis anos aprendendo, em 2012 tive oportunidade de ser também professora. Mas não parei de estudar!

Na Cuadra Flamenca contei com a paciência do Uli Ruedas, que me ajudou a aperfeiçoar e conhecer muita coisa da dança espanhola. Com Rana Gorgani, conheci as danças dos nômades persas. Na semana em que decobri pela internet a Kalbelya, dança cigana indiana, através da Maria Robin, soube que Sônia Galvão daria um curso abordando a modalidade. Foi como um presente! Já o workshop de dança cigana turca da Miriam Peretz foi um achado, daqueles que dá alegria só de lembrar. E então veio a Paolan Blanton apresentar as danças dos ciganos dos Bálcãs. E junto de tudo isso sempre continuei pesquisando as danças e culturas.

Sim, danças e culturas! Porque ciganos possuem culturas muito diversificadas e distintas, com a realidade pouco divulgada e muitas vezes mistificada. Para mostrar isso às minhas alunas, resolvi criar este blog. E aqui conheci muita gente, fiz parcerias, colegas de pesquisa, fãs e amigos.

Amigos! Durante esses dez anos foram muitos! Pessoas queridas, algumas que se transformaram em irmãs, primas, gente que num olhar completa nosso bailado 😉

vurdon 1 (1)São dez anos dançando, mas sempre há uma nova faceta dessa cultura fascinante pra conhecer. E me encanto cada vez que vejo uma aluna aprendendo algo novo. Porque cultura cigana é assim, cheia de tradição e movimento.

E segue a caravana.

Brigitte Angel

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7 comentários sobre “10 Anos de Dança Cigana, 20 admirando a cultura

  1. Avia disse:

    Parabéns, você tem delicadeza e encanto enquanto dança. O sentimento de admiração que descreve em seu texto, pode ter certeza que também despertou em suas alunas e digo com toda certeza pois desfrutei de suas aulas por um bom tempo, e também sonho em um dia dançar com a leveza dos seus movimentos, como você disse “0 bailado da vida ninguém ensina”, mas nos mostra que com dedicação e amor poderemos chegar lá. Um abraço bem apertado e um enorme beijo.
    Avia

  2. Jeruza Rosário disse:

    Olá! Que bacana ter encontrado este blog. Encontrei na procura de interpretações para as cartas ciganas e, que delicioso, me encontrei por aqui. Gosto muito de sua forma de interpretar as cartas, com uma doce seriedade e profundidade que cativam. Também sou grande admiradora das culturas ciganas… Que Santa Sarah te ilumine sempre! Parabéns pelos 10 anos de dança!

    • Brigitte Angel disse:

      Olá, Jerusa! Que bom que o blog encantou para além das cartas rs. Uso o Baralho Cigano em algumas aulas, onde trabalhamos tanto a interpretação da carta quanto a interpretação no bailado. Pra estimular as alunas a refletir sobre os significados, procuro não dar todas as cartas de uma vez. Por isso ainda faltam algumas. Elas virão oportunamente, de acordo com o exercício com as alunas 😉

  3. Jeruza Rosário disse:

    Ah, esqueci de te pedir…posta as interpretações das cartas que faltam… Por favor! É muito importante seu material. Xero no coração!

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