Bailar com a alma

ar (2)Uma das primeiras coisas que falo às alunas é que dança cigana não é uma dança de coreografia. É uma dança de alma. Claro que existem certos jeitos de bailar e os movimentos próprios que vamos aprimorando com o tempo. Mas sempre digo: a dança tem que vir do seu prazer, e não ser uma dança decorada. Às vezes, as alunas se sentem como se estivessem perdidas, pois durante a música, lembram-se apenas dos mesmos movimentos. E quando insistem em apenas se lembrar dos movimentos, o bailado fica tenso, sem o prazer de se entregar ao bailado. Por isso, às vezes indico vídeos de bailaoras que não usam movimentos muito diversificados, mas se entregam na dança de maneira encantadora.

Outro dia assustei até as alunas mais experientes ao pedir que não fizessem os movimentos marcados de véu, mas ao contrário, apenas o sentisse em seu corpo com um bailado totalmente livre e introspectivo. Falei a elas: não quero que o foco esteja em seu véu, quero que o foco esteja em seu corpo. No começo foi difícil. Mas depois vi muita beleza ali. Na verdade, quem conseguiu se entregar ao exercício não colocou foco em seu corpo, mas na sua alma. Na delicadeza e na beleza que há dentro de si, numa integração maravilhosa entre bailaora e véu. E vi o mais belo bailado cigano com véu até hoje.

É claro que dançar livremente não significa ignorar a música e dançar algo que está apenas em nossa cabeça. É preciso conhecer a música, seus graves e agudos, entender a harmonia de seu corpo na música, no tempo e no espaço. Mas para isso não é preciso fazer movimentos repetidos em uma coreografia ou abusar de técnicas de outras danças. Por exemplo: a estrutura da Dança do Ventre é linda… para a Dança do Ventre. Que tal aproveitar a beleza da Dança do Ventre e coloca-la em harmonia com nossa vida?

Dança cigana com veu (1)Ao falar sobre a Dança Cigana Oriental, Lila Zallet, professora de Dança Cigana no México, diz que a dança, enquanto arte, deve se inspirar na vida. A dança que se inspira na dança pode até ser bonita, mas é como se fosse pálida. Embora a dança cigana seja sensual, afirma que não se deve apenas colocar em evidência o que há de belo em você (seu quadril, seus seios, seus cabelos), pois não há nada mais distante da sensualidade do que a sexualidade. “A dança é outra coisa… é caligrafia, é linha, é  expressar o mundo que existe e também o que não existe… em muitas coisas: na forma, no volume, no peso, na cor, no ritmo, no equilíbrio, no intervalo. A bailarina deve ocupar o espaço mental, físico e emocionalmente.

A dança cigana é uma dança nômade, sempre em mutação, que vai se aprimorando e pegando emprestado das outras danças. Mas nunca podemos esquecer nossa essência e deixar de bailar com nossa alma.

Sinta a música. Coloque os limites de seu corpo. Quando você deixá-la livre, com certeza será um bailado muito mais belo.

Brigitte Angel

 

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