Respeitável público… com vocês… o circo!

Foi na China que encontraram as pinturas mais antigas, com cerca de cinco mil anos, em que apareciam acrobatas, contorcionistas e equilibristas. Estes eram o treinamento dos guerreiros que necessitavam desenvolver agilidade, força e flexibilidade. Com o passar do tempo, as qualidades se uniram ao charme, a beleza e harmonia. E ai surgiram as primeiras artes circenses.

O circo com espetáculo pago como conhecemos hoje foi idealizado pelo inglês Philip Astley em 1768, quando realizou sua apresentação com cavalos em um grande espaço, embaixo de uma lona. As apresentações de Astley foram um sucesso, o que o fez levar sua arte para Paris.

Ainda na Europa, os ciganos se especializaram nas artes circenses. A vida nômade e a organização familiar das caravanas facilitavam o trabalho, já que sempre precisavam deixar o local e procurar novos públicos. Por onde passavam, encantavam adultos e principalmente crianças. Por esse encantamento, muitas crianças órfãs seguiam os circos e eram incorporadas à trupe. E daí a lenda de que ciganos roubam criancinhas.

Os ciganos fugidos das perseguições da Europa ou simplesmente à procura de novas oportunidades que trouxeram o circo para o Brasil, ainda no século XVIII, tornando-se mais populares no século seguinte. Apesar de já trabalharem em circos na Europa, quando a família chegava e durante muito tempo, suas apresentações eram feitas em praças públicas, como saltimbancos.

Ciganos circensesEntre suas especialidades, incluíam-se o ilusionismo, as crianças que faziam acrobacias sobre cavalos, os domadores de ursos (verdadeiros ou fingidos, só com a pele por cima de um homem) e outros animais exóticos que atraiam multidões de curiosos, os macacos vestidos de sinhás, cheios de laços de fitas, que dançavam ao som de pandeiros e faziam graças. Além das tradições europeias, os ciganos adaptavam os números criados às realidades da população local: sempre apresentavam números que pudessem atingir o imaginário popular, carregando a magia e a fantasia de lendas e histórias dos povoados por onde passavam.

Com o passar do tempo, outros grupos passaram a trabalhar com a arte do circo, mas sempre com a tradição nômade. Até o início do século XX, vários ciganos se casaram com circenses não-ciganos e passaram a trabalhar juntos.

Ciganos de circo (2)Atualmente, os maiores circos pertencentes a famílias ciganas no Brasil são: Circo Orlando Orfei (manouches italianos); Circo Norte Americano (da família Stevanovitch); Circo Nova York (de João Augusto Micalovitch), Circo México (kalderash americano). Os Sbano são uma tradicional família circense, conhecidos principalmente pelo seu número de laços e chicotes. O já falecido Capitão Zurka Sbano, cigano Kalderash nascido em 1923, contou que sua família tornou-se circense em fins do século XIX. Seu avô teria lhe relatado que trabalhava como mascate, vendendo pequenas coisas, parando nas fazendas e  fazendo pequenos trabalhos, produzindo tachos e alambiques. Depois a família entrou para o circo e tornaram-se artistas. Hoje, já estão na quinta geração circense.

No Brasil, foi na década de 1960 que circenses decidiram não apenas adaptar os espetáculos à realidade popular, mas também mesclar as artes circenses com outras linguagens artísticas. O movimento conhecido como Novo Circo foi criado em uma época em que surgiam no país novas formas de entretenimento, como a televisão, e o contato do público com as expressões artísticas se reduzia às residências.  A proposta do movimento era mudar duas características importantes da cultura circense: a tradição oral e a estrutura familiar. Novos circos foram criados, tornando-se uma atividade artística mais profissionalizada. Hoje é, inclusive, procurada por muitas pessoas que querem ampliar seus trabalhos artísticos.

E o circo ganhou até dia de comemoração nacional: dia 27 de março, data do nascimento do Palhaço Piolim, considerado um grande representante do meio circense, reconhecido internacionalmente. Em 2013, diversas ações ligadas ao circo estão sendo realizadas em homenagem aos 40 anos de sua morte (ver atividades no sesc e Centro de Memória do Circo). Mas tudo com muita alegria, pois é assim que o circo tem que ser!

Independente da estrutura, os circos e seu mundo mágico ainda encantam… por onde quer que passam e montem o picadeiro!

Brigitte Angel

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Um comentário sobre “Respeitável público… com vocês… o circo!

  1. Avia disse:

    Adorei o texto, a primeira vez que fui no circo foi do Orlando Orfei, nunca me esqueci do número do trapézio, depois no decorrer da minha vida estiver em outros circos mas este foi o que mais me marcou.

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