Jazz manouche!

Quando se fala em “música cigana”, a maioria das pessoas geralmente pensa em Gipsy Kings ou o estilo chamado rumba. Mas há uma grande variedade de estilos de música cigana, cada um com características do lugar onde foi criado. Músicas ciganas da Espanha, Rússia, Hungria e tantas outras geralmente têm influências do século XVIII e XIX. Mas há também outros estilos mais modernos, criados já no século XX.

Cigano do clã manouche, Jean Baptiste “Django” Reinhardt nasceu na Bélgica em 1910 e acompanhou sua caravana até chegar aos arredores de Paris. Lá, começou a tocar banjo na vida noturna aos doze anos. Em 1928, Django sofreu ferimentos em um incêndio e teve o dedo mínimo e o anelar de sua mão esquerda imobilizados, o que lhe impediria de tocar um instrumento de cordas novamente. Durante a recuperação, Django ganhou um violão de seu irmão e desenvolveu um jeito próprio de tocar, usando apenas os dedos que se mexiam para fazer os acordes.

Juntamente com o violinista parisiense Stéphane Grappelli, em 1934 fundaram a banda Quintette du Hot Club de France. Além do estilo próprio de Django, a banda misturava o jazz com a música cigana manouche e fazia longos solos com os instrumentos. Como no jazz, os instrumentos básicos da banda eram o violão, violino e contrabaixo. Da música cigana, vieram o acordeom, o clarinete e outras influências.

Com a mistura, a banda ajudou a criar o estilo conhecido como gypsy jazz (jazz cigano) ou “gypsy swing”. Como suas origens estão na França, é também chamado pelo nome francês, “jazz manouche” ou “manouche jazz”.

Django foi o primeiro jazzman a influenciar músicos norte-americanos com um estilo diferente do jazz de New Orleans, e foi também um dos primeiros músicos não negros nesse estilo musical. A banda alcançou fama internacional e influenciou diversos músicos ao redor do mundo, e Django hoje é considerado o pai do jazz europeu.

Com o início da Segunda Guerra Mundial, o grupo se separou. Após a morte de Django, em maio de 1953, esse estilo passou a ser tocado apenas por aqueles que conviviam com ele. O jazz cigano, como outros estilos musicais desse povo, foi transmitido para as gerações seguintes praticamente apenas pela tradição oral, e por isso, ficou esquecido pelo grande público por muito tempo. Somente em meados da década de 1990, o jazz manouche novamente ganhou força, com artistas como Angelo Debarre, Raphael Fays, Roman e muitos outros.

Considerado por muitos como um herói do povo cigano, todos os anos em junho, ciganos e amantes do jazz vão para Amois-Sur-Seine, onde Django faleceu, e o celebram no Festival Django Reinhardt desde 1968.

Brigitte Angel

Django no Quintette du Hot Club de France!

Lost Fingers é uma banda canadense que toca o jazz manouche. Seu nome foi inspirado no violonista Django, que perdeu o movimento de dois dedos em um incêndio.

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