E nem tudo é festa – os ciganos da Hungria

Hoje, na Hungria, podemos ver dois estilos de musica cigana: o folclórico rural (antigamente executado quase que exclusivamente para a comunidade cigana) e a “música de restaurante” (tocada essencialmente para turistas). A maior parte dos turistas na Hungria só ouve “música de restaurante”, tocada normalmente por pequenas orquestras ciganas, com um vocalista, vários violinos, baixo e cimbalom (dulcímero húngaro cigano), todos vestidos a caráter para entreter os clientes.

Até a década de 1980, a companhia estatal de disco, Hungaraton, só editava clássicos do ocidente e música cigana “de restaurante”. Em 1987, a gravadora húngara deu a oportunidade de lançar um disco do Kalyi Jag, um grupo cigano que tocava música cigana folclórica por toda a Hungria e em partes da Romênia, país vizinho. O disco foi um sucesso imediatamente. Dois anos depois, a Hungria deixou de ser um país socialista, iniciou a redemocratização e a abertura dos mercados. Com isso, a concorrência de diversas gravadoras estrangeiras causou grande diminuição de vendas da Hungaraton. Diante da concorrência e do sucesso do Kalyi Jag, a gravadora lançou mais três álbuns da banda (1989, 1992, 1993). Com o sucesso, o grupo passou a passou a se apresentar internacionalmente gravou ainda mais de nove discos, além de fundar um centro cultural que ajudou a lançar mais de sessenta conjuntos ciganos.

Apesar da curiosidade dos turistas e do crescimento da produção musical, os ciganos sofrem com uma série de questões na Hungria. Até a década de 1970, a maioria dos ciganos tinha acesso à moradia, suas crianças iam para escola e havia segurança. Na década de 1990, a discriminação voltou ao país com força total. Além da falta de uma política que proteja a minoria étnica, enfrentam cerca de 90% de desemprego, são alvo de preconceitos no dia a dia e de ataques de grupos intolerantes (em 2008 e 2009, centenas de ciganos foram mortos no país).

Atualmente, os ciganos húngaros vivem um momento decisivo. Ou abandonam suas casas e voltam ao estilo nômade, fugindo dos ataques extremistas, ou assumem um papel social como cidadãos húngaros, com o desafio de tentar manter suas tradições. Mas o que parece é que para serem reconhecidos e respeitados no país, apenas a música e a dança não são suficientes.

Como dica, “Apenas o Vento”, filme premiado com o Urso de Prata no Festival de Berlim, será exibido no Cine Sesc dia 22/09/2012 às 19h40, durante o Festival Indie 2012. A ficção aborda a intolerância contra ciganos e o atentado de 2008.  http://www.indiefestival.com.br/2012/sp/film.php?cod=3

Brigitte Angel

Folclórico rural

 

Música de restaurante

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8 comentários sobre “E nem tudo é festa – os ciganos da Hungria

  1. Gabriela Gaia disse:

    Nossa!! Fiquei encantada pela qualidade do que se apresentou aqui, de texto, contexto e seleção dos vídeos! Muito completo!Digno! Gratidão pela partilha!

    • Brigitte Angel disse:

      Obrigada, Gabriela 🙂 É tudo feito com bastante carinho. Acabei mudando o segundo vídeo, para se ter ideia do que é a música de restaurante.
      Fique sempre à vontade para visitar o blog!;)

  2. Pérola San disse:

    Lindo e fascinante a historia deste povo, fiquei um pouco triste pela questão de não terem o respeito e valores merecidos, através de sua cultura cigana e a arte.
    Interessante sua dica de filme sobre o tema desta matéria. Irei pesquisar.
    Parabéns pelo blog!!!

    • Brigitte Angel disse:

      Olá, Pérola! Infelizmente isso não acontece só na Hungria… os ciganos sofrem muito preconceito em diversas partes do mundo. Inclusive na França há um grande problema envolvendo nacionalidade e ciganos. É realmente triste. Mas por isso mesmo temos que conhecer, para não nos envolvermos em fantasias e achar que tudo é lindo entre os ciganos! Se gostamos dessa cultura, temos que aprender pra poder defender também 😉
      Obrigada pelo elogio!

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