Música cigana russa: o violão de sete cordas

De acordo com as antigas crônicas russas, os primeiros ciganos chegaram ao país no século XV. Como os instrumentos musicais foram proibidos na Rússia entre os séculos XIV e XVII, os ciganos que lá viviam criaram uma tradição musical baseada em coros, que continuou até 1917. Depois da Revolução Russa, os ciganos começaram a  incorporar o estilo musical do país e passaram a tocar violino, levado pelos ciganos dos Bálcãs. Mas um dos principais instrumentos usados pelos ciganos russos, desde o século XVIII até hoje, é o violão de sete cordas.

No período do Renascimento, os violões (na verdade, ainda chamados “quitaras”) tinham quatro pares de cordas. O uso de cordas duplas era um artifício para compensar a sonoridade ainda deficiente das caixas de ressonância. Durante o Barroco, firmou-se o uso de cinco pares de cordas. Durante o século XVIII, difundiu-se o uso de seis pares de cordas. A partir de 1800, na Espanha e em grande parte da Europa, estabeleceu-se como padrão o uso de seis cordas simples para os violões, mas este tipo de instrumento era uma raridade na Rússia até 1917.

Muitos estudiosos concordam que o violão de sete cordas nasceu na Rússia no século XVIII, a partir de instrumentos típicos do Leste Europeu. Até meados do século XX, era praticamente o único instrumento tocado pelos ciganos russos. As percussões eram feitas com utensílios de cozinha, como colheres e panelas, e em alguns casos, usavam pandeiro. Também faziam o que chamamos de “percussão no corpo”, com batidas de pé ao chão, estalos de dedos e batidas com as palmas das mãos, nas próprias mãos e em outras partes do corpo.

Muitos russos que migraram para países ocidentais, onde havia apenas violões de seis cordas, modificaram seus instrumentos, colocando mais uma corda para melhor desempenhar suas canções russas favoritas.

Atualmente, o violão de sete cordas é muito usado no chorinho, e é considerado por muitos como um instrumento brasileiro. Cogita-se que ele tenha sido trazido da Rússia no início do século XX. Segundo Pixinguinha, na Praça Onze, Rio de Janeiro, um grupo de ciganos tocava um violão de sete cordas com afinação diferente da ocidental. Tute e China (irmão de Pixinguinha) teriam sido os primeiros a ter contato com esse instrumento no Brasil.

Embora haja vários grupos ciganos russos com vocal, como o Kolpacov Trio, escolhi duas músicas sem voz propositalmente. Não sou russa nem especialista em música (rs), então fica apenas como especulação… ouça uma música cigana russa e um chorinho brasileiro, os dois com sete cordas, e me diga… o que você acha?

Grande abraço e optchá!

Brigitte Angel

Violão de sete cordas cigano russo


Bachianinha nº1, música de Paulinho Nogueira, em violão de sete cordas

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10 comentários sobre “Música cigana russa: o violão de sete cordas

  1. graziesposito disse:

    Muito curioso. Para mim o violão de 7 cordas sempre foi 100 % brasileiro… Agora, já não sei mais! Risos…
    Mas, afinal… O que é ser 100 % brasileiro em um país com tanta miscigenação?

    Somos russos, brasileiros, CIGANOS…

  2. Gabriela disse:

    Olá, não entendi muito bem a parte onde está escrito que os instrumentos foram proibidos na Russia… Eles literalmente foram proibidos? Ou apenas para os ciganos? Tentei procurar no google referencias sobre esse fato e não encontrei…

    • Brigitte Angel disse:

      Olá, Gabriela! Talvez seja necessário fazer uma pesquisa mais profunda, mas há diversas fontes que falam sobre isso. O Wikipedia, por exemplo, diz “During the reactionary period of the Great Russian Schism in the 17th century, skomorokhs along with their form of secular music were banned from plying their trade numerous times, but despite these restrictions, some of their traditions survived to the present day.” (https://en.wikipedia.org/wiki/Music_of_Russia#Early_history)
      Outro site diz “Folk music relied on human voice rather than on instruments (possibly because of the ban to use musical instruments in church).” (http://www.rustradeusa.org/eng/256/).
      O fato é que isso influenciou bastante a cultura cigana.
      Espero que encontre caminhos para aprofundar sua pesquisa 😉

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