A Kundalini e a Dança Cigana

Segundo a tradição Tântrica Hindu, temos diversos canais por onde fluem as energias vitais, sutis e densas. Esses canais são quase como cordões, tubos ou vasos sanguíneos. Mas ao invés de sangue, por eles passam a energia vital. Eles estão subordinados a um canal central, chamado Shushuma, que fica na ponta do cóccix. Desse canal parte um fluxo energético que se distribui aos outros canais. Os canais sobem pela espinha dorsal até o topo da cabeça e então retornam pela frente até um ponto logo abaixo do umbigo, e se entrecruzam em diversos pontos. Em cada ponto que esses canais se cruzam, forma-se um vórtice de energia. Esses pontos são conhecidos como chakras. Há inúmeros chakras, mas a maioria dos ocidentais conhece apenas os sete principais, que são os pontos que possuem os maiores números de cruzamentos. Os chakras alinhados garantem nosso bem estar e vice-versa. É quando estamos bem conosco e em harmonia com o universo que eles ficam alinhados. E cada um dos chakras rege um aspecto de nossa vida, seja físico, mental, espiritual ou vital:

1º. Base da Coluna – rege a segurança, a criatividade, a vivacidade, o sangue, a ganância; 

2º. Região pélvica – rege procriação, a família, a sensualidade, o prazer;

3º. Região do Umbigo – poder, reconhecimento, ego;

4º. Coração – amor, devoção, autoconfiança, serviço desinteressado;

5º. Garganta – vida simples, pensamentos elevados, conhecimento, comunicação;

6º. Ponto entre as sobrancelhas – autorealização, neutralidade. Com esse chakra alinhado, as mudanças internas ou externas são vistas como aprendizado e crescimento, e deixam de ser vistos como problemas;

7º. Topo da Cabeça – união, consciência não dual, está além dos desejos, bem aventurança.

Além dos chakras, há outro ponto energético muito importante: a kundalini. A kundalini é como um reservatório da energia vital cósmica de forma estática e cinética. Geralmente está estática, como se estivesse “adormecida”. Ela só é acordada quando estamos autoconscientes e compreendemos que existe um propósito superior na vida. Despertada, a kundalini usa como “caminho” a espinha dorsal, passando por cada um dos chakras em direção ao topo da cabeça, buscando a nossa evolução espiritual. Como na base do cóccix existe um aglomerado de nervos que se parece com uma raiz fibrosa, a kundalini é geralmente representada como uma cobra enrolada nessa região, que sobe até acima de nossa cabeça, onde se encontra o chakra coronário.

Cada chakra pode se alinhar ou desalinhar independentemente. Mas com a kundalini não é assim. Se algum desses chakras estiver desalinhado, a kundalini não consegue seguir rumo à evolução espiritual.

E eis a grande questão.

O primeiro chakra, o básico, que fica onde os ossos superiores do cóccix e os inferiores do sacro se encontram, rege nossa sexualidade, entre outros aspectos. É o chakra que impulsiona o desejo por experiências e informação, agindo como motivador para o desenvolvimento individual. Este está intimamente ligado ao 2º. e 3º. chakras, chamados chakras inferiores, por estarem ligados a conceitos de subsistência, ego, apego, prazer, poder. São aspectos que quando valorizados individualmente ou em sociedade tornam-se empecilho para a ascensão da kundalini a níveis mais elevados de consciência. Por motivos culturais, muitas mulheres têm bloqueios nesses chakras, o que impede o caminho da kundalini logo no início de seu percurso. É preciso despertar o feminino que há em nós (esta força feminina chama-se shakti) e valorizar nossa sexualidade para que esse chakra entre em equilíbrio. E a dança é um ótimo caminho para essa busca.

O contrário também existe: pessoas com distúrbios sexuais também têm esse chakra desalinhado. Isso inclui aqueles que valorizam apenas a sensualidade ou sexualidade, como mulheres que procuram “danças femininas” que valorizam apenas a sensualidade. Assim, elas seguem com seus chakras desalinhados, pois os primeiros chakras não regem apenas a sexualidade. Regem também a criatividade, a vivacidade, a geração da vida.
A dança cigana é um ótimo exercício para alinhar esse chakra, desde que seja trabalhada da maneira como é na cultura cigana. O bailado cigano trabalha o feminino, a sensualidade, mas também a criatividade e a vivacidade, já que não tem coreografias e é a expressão de cada bailaora. Como dizemos, o bailado cigano é uma dança de alma.

Além de ter os chakras alinhados, para o melhor desenvolvimento da kundalini é necessário realizar outros exercícios e práticas ensinados pelos hindus. Para o desenvolvimento da kundalini, procure um especialista em Yoga, que o orientará em outros exercícios. Mas manter os chakras alinhados já é um grande começo.

Texto: Brigitte Angel
Colaboração: Rosely Tadeu, professora de Yoga do Espaço Sementes.

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2 comentários sobre “A Kundalini e a Dança Cigana

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